Deputado quebra peça de exposição sobre Consciência Negra na Câmara

Obra ficou quebrada no corredor da Câmara(Foto: Assessoria deputada Fernanda Melchionna / Divulgação)

Por FolhapressÂngela Boldrini

Peça tinha os dizeres “o genocídio da população negra” e uma explicação com dados Ipea sobre mortes de jovens negros

O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) quebrou, nesta terça-feira (19), uma placa com charge que compunha exposição em homenagem ao Dia da Consciência Negra na Câmara. O cartaz trazia uma charge do cartunista Latuff mostrando um policial com uma arma se afastando depois de atirar em um jovem algemado.

A peça tinha os dizeres “o genocídio da população negra” e uma explicação com dados do Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea) sobre mortes de jovens negros. “Por sua vez, os negros são as principais vítimas da ação letal das polícias e o perfil predominante da população prisional do Brasil”, dizia a placa. A taxa de homicídios entre homens jovens pretos e pardos chegou a 185 a cada 100 mil habitantes em 2017, quase três vezes a dos brancos.

Parlamentares oposicionistas da bancada negra, como Taliria Petrone (PSOL-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), Aurea Carolina (PSOL-MG) e David Miranda (PSOL-RJ), foram ao Departamento de Polícia Legislativa da Casa e prestaram queixa contra Tadeu. Segundo Taliria, os partidos também farão representação no Conselho de Ética da Câmara e irão à Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolar representação por racismo.

Deputados confrontaram o parlamentar no corredor depois de ele quebrar a placa, chamando-o de racista.

— Isso é uma violência — afirmou Benedita enquanto apontava para o cartaz, partido em dois no chão.

— Eles fizeram o protesto deles, eu fiz o meu. O cartaz era nitidamente ofensivo aos policiais do país — afirmou Coronel Tadeu à reportagem.

Ele disse que decidiu arrancar o cartaz “para retirar primeiro aquilo imediatamente” e disse que a placa “direcionava o entendimento de que policiais só matam negros”.

— O policial quer preservar a própria vida. Na hora do tiroteio, você não sabe se o cara é branco ou negro — disse.