Bolsonaro na Capital catarinense

Pela primeira vez em Florianópolis o presidente Jair Bolsonaro veio a Santa Catarina e aproveitou para discursar na formação de novos agentes da Polícia Rodoviária Federal

Em sua primeira visita oficial a Florianópolis ocorrida na tarde de quinta-feira (17), o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) defendeu o Pacote Anticrime, e garantiu que não se trata de uma carta branca para matar. Pelo contrário, disse, é carta branca para não morrer. Bolsonaro afirmou que o policial tem que ir pra casa com a certeza de que, se tiver que atirar, seja condecorado ao invés de processado. Bolsonaro participou da aula magna do CFP (Curso de Formação Profissional) da PRF (Polícia Rodoviária Federal), onde falou para mais de mil policiais.

Na abertura do evento, Bolsonaro manteve o discurso forte e marcado pelo patriotismo que o caracteriza. Também pediu apoio dos parlamentares para a proposta incluída no Pacote Anticrime, que trata da excludente de ilicitude, texto que tramita na Câmara dos Deputados e estabelece que agentes de segurança que cometam excesso podem ser isentos de punição.Sob um forte esquema de segurança e ao lado dos ministros Sérgio Moro e Damares Alves e do governador Carlos Moisés, do mesmo partido, discursou por 15 minutos.

Fotos: Anderson Coelho/ND

Ao falar sobre as expectativas do governo federal para a segurança do país e apresentar um panorama do que realizou nos últimos meses, assinou o processo de conversão da medida provisória que acelera a venda de bens provenientes do tráfico de drogas. Com este documento, os magistrados devem dar maior atenção à alienação dos bens durante os processos. Com ajuda de um instrutor, o presidente testou alguns armamentos usados pelos agentes federais. Os disparos, que também foram feitos por Moro, puderam ser ouvidos pela plateia que aguardava no lado de fora. Bolsonaro também conheceu a estrutura da academia que, desde setembro, abriga 1.160 alunos de todo o país. São mais de 5 mil metros quadrados com salas de estudo, academias e campos de treinamentos.Na plateia, cerca de 40 pessoas aprovadas no último concurso, mas que até agora não foram chamadas, pediam pela nomeação.

Fugindo de polêmicas

O presidente chamou de leais os deputados federais Caroline de Toni e Coronel Armando, ambos do seu partido. No entanto, evitou falar sobre as últimas polêmicas envolvendo seu governo e uma possível saída do PSL.Apesar de não fazer nenhuma menção à crise, quando comentou as mudanças de paradigmas dentro da política atual disse que “alguns, de forma mesquinha, buscam atingir o governo”.

Logo após o discurso, Bolsonaro exibiu-se realizando algumas flexões, acompanhado por alguns policiais. Após o encontro, o presidente realizou uma transmissão pelas redes sociais desde o interior da academia da PRF antes de retornar a Brasília.

Visitas canceladas

Desde novembro, o presidente havia desmarcado duas visitas ao Estado por conta de problemas de saúde. A presença dele era esperada na abertura da Oktoberfest, na quarta-feira passada.Bolsonaro também não veio para a inauguração do aeroporto da Capital, no fim de setembro. Porém, esta foi sua segunda visita ao Estado após assumir a presidência da República. Em maio ele participou do Congresso de Gideões em Camboriú.

Moro reafirma iniciativa de integração

O ministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro antecedeu a fala do presidente quando descreveu os investimentos para reduzir a criminalidade. Pediu integração das polícias e afirmou que o trabalho da PRF transcende as rodovias do país.

Além de Moro, o governador Carlos Moisés também falou aos policiais, destacando a integração das polícias em Santa Catarina. Ele agradeceu ao colegiado de segurança e afirmou que o trabalho conjunto ocasionou a diminuição nos índice da violência no Estado. Também afirmou que o Governo Federal tem as portas abertas em Santa Catarina.